Com a comprovação, no ano de
1900, da "aprendizagem pela prática" pelo então filósofo John Dewey,
como também as transformações sociais nas relações de trabalho e o surgimento
de novas teorias da aprendizagem com fundamento psicológico e social,
modificaram a educação com a criação de novas formas de ensinar e aprender,
dentre elas à Aprendizagem
Baseada em Projetos (ABP) ou Project Based Learning (PBL) que consiste "em permitir que os estudantes confrontem as questões e os problemas do mundo real que considerem significativos, determinando como abordá-los e, então, agindo de forma cooperativa em busca de soluções“. (BENDER, 2015)
Como metodologia ativa, esta tem
ajudado instituições de ensino e professores a trabalharem de forma inovadora,
tendo como uma de suas principais características, como destaca Toyohara (2010)
com ideias claras dos objetivos que se pretende atingir. Deste modo, a ABP tem
como base o planejamento e a intencionalidade, que ocorrem por meio de
vivências práticas e coletivas que requerem a participação ativa e
compartilhada dos alunos. Podendo ser utilizada em todos os níveis de ensino,
ela é mais frequente no Ensino Fundamental e no Superior, principalmente em
cursos de Engenharia ou em escolas
referenciais no uso dessa metodologia.
A ABP tem por objetivo fazer com
que os estudantes lidem com problemas reais e significativos para eles,
buscando soluções para essas problemáticas em que o próprio aluno irá escolher
e buscar meios e soluções de forma colaborativa com os demais participantes,
possibilitando ao aluno o "aprender a aprender", propiciando a
interdisciplinaridade, a cooperação e autonomia, despertando o interesse e
desenvolvendo habilidades necessária para seu futuro profissional e pessoal.
Para sua efetivação, é necessário, como destaca Masson (2012), uma gestão
compartilhada pelos demais agentes educacionais, como também tempo, esforço e
investimento, em problemáticas que instiguem a curiosidade e possibilitem uma
construção autônoma, crítica e reflexiva do aluno. Como ressalta Freire (1996):
Fonte: Autoria Própria (2019)
As características privilegiadas
na ABP são a âncora, que seria a escolha do assunto debatido na sala de aula, a
questão motriz, a assistência e revisão do aluno juntamente com o professor, a
investigação e inovação, as oportunidades para reflexão, os resultados
apresentados em sala, a voz e escolha dos alunos em como o projeto deverá ser
realizado, juntamente com o professor. (BENDER, 2015). Em vista disso, o professor passa a atuar como mediador da aprendizagem,
acompanhando e ajudando os grupos na exploração das habilidades,
compreendendo as diferentes formas de aprender e resolver as temáticas
apresentadas.
Para implementar
a ABP é necessário uma mudança no desempenho dos professores e na
escola, pois a colaboração deve começar na gestão que, aberta as modificações,
caminha em prol de um objetivo comum para com todos os agentes, assim,
consolidando e desenvolvendo os pilares destacados por Masson (2012) aprender a
conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser, que devem ser
alcançados por todos. Compreendemos que a aprendizagem pela prática contribui
para o desenvolvimento das mais diversas potencialidades humanas. Assim sendo,
a ABP possibilita uma avaliação mais expressiva, como também, o desenvolvimento
não apenas profissional mas humanístico.
Referências
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. (Capítulo 2 - páginas 33 a 35). O livro encontra-se disponível em: http://forumeja.org.br/files/Autonomia.pdf.
MASSON, T. J. et al. Metodologia de ensino: aprendizagem baseada em projetos. In: XL CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO EM ENGENHARIAS. 2012. Belém, PA. ed. Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo. 03-06 de dez. 2012. Disponível: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&uxrl=http://www.abenge.org.br/cobenge/arquivos/7/artigos/104325.pdf&ved=2ahUKEwjEm4_NxrrkAhVKCrkGHSlbBEIQFjAFegQIBhAB&usg=AOvVaw15PpNk0qPrdwMeIs-Ir5W3
BENDER, W. N. Aprendizagem baseada em projetos: educação diferenciada para o século XXI. Porto Alegre: Penso, 2015.
TOYOHARA, D. Q. K., et al. Aprendizagem baseada em projetos: uma nova estratégia de ensino para o desenvolvimento de projetos. In: CONGRESSO INTERNACIONAL. São Paulo. 2010. p.1-11. 08-12 de nov. 2010. Disponível: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url
SONDERMANN, D. V. C.; BALDO, Y. P.. Aprendizagem baseada em projetos: potencializando a formação docente em acessibilidade e tecnologia. Chile, 2016. Ed. Nuevas Ideas en Informática Educativa, v.12, p. 392-396. Disponível: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=http://www.tise.cl/volumen12/TISE2016/392-396.pdf&ved=2ahUKEwjh0LWtjrbkAhVxIrkGHUIQD-sQFjAAegQIAhAB&usg=AOvVaw2_yo5FdAIdYcsr4dfiWTIy


Esse assunto é muito interessante e trouxe uma nova visão sobre uma importante metodologia ativa, pois possui a mesma sigla da Aprendizagem Baseada em Problemas, mas, mesmo com algumas similaridades, elas possuem algumas diferenças entre si. Por exemplo, a aprendizagem baseada em projetos vai demandar mais tempo que a baseada em problemas, como também a baseada em projetos no final pode gerar um produto concreto, enquanto a aprendizagem baseada em problemas gera uma ou mais soluções para aquele problema. É interessante ver que ambas buscam o mesmo: desenvolver no aluno a criticidade e a autonomia.
ResponderExcluirTexto muito bom! Gostei demais do assunto, super interessante! Um tipo de aprendizagem q leva a uma maior participação do aluno, através da prática. Acredito q esse método realmente proporciona ao aluno perceber q pode desenvolver bem mais habilidades do q as esperadas por ele.
ResponderExcluir