Ana Carolina Protásio Cavalcanti
Isaias Cirilo Agostinho Matias
Atualmente, muito tem
sido falado sobre metodologias ativas, que vêm sendo exploradas em diversos contextos, principalmente
na educação, para agregar no desenvolvimento do aluno. Aqui falaremos
especificamente de uma: Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) - ou Problem Based Learning (PBL) em
inglês.
A Aprendizagem Baseada em
Problemas foi trazida por Howard Barrows na década de 1960. Inicialmente foi
usada em cursos de medicina, pois os professores perceberam que era necessário
apresentar problemas e deixar que os alunos descobrissem como resolvê-los, de
forma que as soluções encontradas trouxessem melhores respostas aos pacientes,
para, a partir de casos da vida real, desenvolver no estudante aspectos
conceituais, atitudinais e procedimentais, pois isso exigia que os discentes
pensassem criticamente e por conta própria (BOROCHOVICIUS; TORTELLA, 2014;
FERREIRA; HENRIQUES-COELHO, 2016). Atualmente é utilizada em várias outras
áreas de cursos de graduação, além da medicina, como engenharia, pedagogia e
administração, por exemplo, também pode ser encontrada na pós-graduação e até mesmo em
diversas disciplinas no ensino básico (SOUZA, 2015). Hirai e Cardoso (2009) mostram que na Educação Física essa metodologia é usada para desenvolver problemas que são as tarefas que devem ser cumpridas pelos estudantes durante a aula, gerando interações sociais. Como por exemplo: "Como podemos saltar com varas? Como deslocar-se na água sem afundar nela?" (GRUPO PEDAGÓGICO UFPe-UFSM, 1991 apud HIRAI; CARDOSO, 2009).
Borochovicius e Tortella
(2014) dizem que a ABP é utilizada para fazer com que o aluno desenvolva sua
capacidade de procurar e usar informações, conseguir solucionar problemas e
aprender o conteúdo, desenvolvendo habilidades de trabalho em equipe e de
aprendizagem autônoma, fazendo com que os sujeitos se adaptem melhor a
mudanças, ampliem suas habilidades para solucionar problemas em situações que
fogem da rotina, aumentando a criticidade e a criatividade. Ou seja, é um
método que deve ser utilizado para formar um discente crítico, capaz de refletir e buscar
o conhecimento em outras fontes além da sala de aula, para que o professor
exerça seu papel de mediador.
A imagem 1 mostra as sete
etapas que formam a ABP, que são: definição do problema; exploração dos
conhecimentos prévios dos alunos, relacionados com o problema; identificação de
quais conhecimentos são necessários aprender para resolver o problema;
investigação do problema e busca por soluções; avaliação das possíveis soluções
para o problema; solução do problema; e apresentação dos resultados. De acordo
com Souza (2015),
esses processos podem ser feitos de forma individual ou em grupo, com a
mediação do professor.
Imagem 1 – Aprendizagem baseada em problemas
Fonte: http://ftelab.ie.ulisboa.pt/tel/gbook/implementacao/
Nesse caso, o professor é
essencial na aplicação da Aprendizagem Baseada em Problemas, mas ele não é o
único detentor do saber. Trindade (2014) diz que o professor não é alguém que vai apenas remover obstáculos e fornecer materiais, mas assumirá muitas outras funções. Ou seja, seu papel dentro dessa metodologia é de levantar
situações-problemas para que os alunos resolvam, mas também acompanhar o processo dos
estudantes de maneira que ofereça informações e os ajude a relacioná-las com os
conhecimentos já existentes. Dessa forma, o professor deve mostrar os pontos
fortes e fracos dos alunos, sugerindo melhorias e deve apontar novas questões
para o aluno refletir.
REFERÊNCIAS:
BOROCHOVICIUS, Eli; TORTELLA, Jussara
Cristina Barboza. Aprendizagem baseada em problemas: um método de
ensino-aprendizagem e suas práticas educativas. Ensaio: Avaliação e
Políticas Públicas em Educação, v. 22, n. 83, p. 263-293, 2014.
FERREIRA, Filipe; HENRIQUES-COELHO, Tiago.
Aprendizagem baseada na resolução de problemas: impacto no desenvolvimento do
pensamento crítico. Revista Lusófona de Educação, n. 32, p. 123-137,
2016.
HIRAI, Rodrigo Tetsuo; CARDOSO, Carlos
Luiz. Possibilidades para o ensino orientado na problematização: para a
realização da concepção de “aulas abertas às experiências”. Movimento,
v. 15, n. 1, p. 99-116, 2009.
SOUZA, Samir Cristino de. Aprendizagem baseada em problemas (ABP): um método transdisciplinar de aprendizagem para o ensino educativo. 2015. Disponível em: <http://uece.br/eventos/spcp/anais/trabalhos_completos/247-320-01042016-143203.pdf> Acesso em: 31 de agosto de 2019.
SOUZA, Samir Cristino de. Aprendizagem baseada em problemas (ABP): um método transdisciplinar de aprendizagem para o ensino educativo. 2015. Disponível em: <http://uece.br/eventos/spcp/anais/trabalhos_completos/247-320-01042016-143203.pdf> Acesso em: 31 de agosto de 2019.
TRINDADE, Rui. A autoaprendizagem no
ensino superior e a aprendizagem baseada na resolução de problemas:
perspectivas e questões. Revista Lusófona de Educação, n. 27, p. 43-57,
2014.

Tópico profundamente relevante! Percebo que o ser humano, no geral, não tem tido muita sabedoria para lidar com problemas, imagine uma criança. Poder trabalhar isso desde cedo, certamente será benéfico quando chegar na vida adulta. O difícil é saber como fazer para alcançar um resultado assertivo. Haja curso, livro, encontro para debater o assunto, mas já começamos bem com esse post. Parabéns!
ResponderExcluirOs problemas fazem com que nos tornemos seres mais pensantes, pois é a partir disso que buscaremos formas de resolvê-los. O professor com seu papel de mediador, deve despertar a curiosidade e a criatividade do aluno, sendo esse capaz de pensar criticamente e ter suas próprias conclusões do que e/ou como pode ser feito para solucionar.
ResponderExcluirTema bem polemico,ensinar tudo de mão beijada ao aluno ou deixar ele pensar.A ABP,é um método muito interessante de aprendizagem,pois devemos aprender a lidar com as dificuldades da vida,e não só no meio acadêmico.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirMuito interessante a temática apresentada pela dupla, meus parabéns. Com relação ao conteúdo do texto, o que me chama a atenção é que nessa metodologia, o aluno é incentivado à desenvolver sua autonomia intelectual por meio da solução de problemas concretos, o que promovem o desenvolvimento do raciocínio lógico e análise de situações presentes no cotidiano, e numa era como a que vivemos hoje, da informação – onde necessitamos ser mais críticos, criativos e dinâmicos –, a aprendizagem baseada em problemas é uma excelente maneira de desenvolver essas características nos alunos desde muito cedo, já que acredito que possa ser aplicada desde os anos finais do ensino fundamental.
ResponderExcluirAssim, com o objetivo de desenvolver no aluno suas múltiplas habilidades, através dessa articulação entre a teoria estudada e sua aplicação na solução de problemas práticos e concretos, o uso dessa metodologia faz com que o professor abandone antigas formas de ensino-aprendizagem, visto que, diferente do método tradicional, essa metodologia valoriza o aprendizado por meio do pensamento crítico e reflexivo do aluno e este deixa de ser visto como receptor passivo de um conhecimento que o só professor detém – dado que, nesse método, o professor assume a função de mediador/facilitador do conhecimento. Dessa forma, com o problema enquanto elemento motivador do estudo, o aluno assume o papel de protagonista do processo de ensino-aprendizagem, sendo ele o responsável pela sua própria aprendizagem.
Este tipo de aprendizagem é bastante relevante, pois desta forma os alunos se tornam protagonistas do próprio saber ao mesmo tempo em que desenvolvem uma maior criticidade. Ao substituir as aulas tradicionais, nas quais o professor é a única fonte de conhecimento e os alunos são apenas receptáculos, os educadores se tornam parceiros dos alunos em busca de uma aprendizagem mais ativa e completa. Com o educador sempre guiando pelo caminho enquanto os alunos trabalham em grupo para solucionar problemas, a aprendizagem se torna algo colaborativo, mais interessante e completo tanto para o aluno quanto para o educador.
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