sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Aprendizagem baseada em equipes (Team-Based Learning)


A aprendizagem baseada em equipe (ABE) teve sua origem na Universidade de Oklahoma em 1970, quando Larry K. Michaelsen, com o objetivo de evitar aulas muito extensas dividiu a turma em grupos pequenos e sugeriu  várias atividades sequenciadas e no final do semestre, obtendo um retorno demasiadamente positivo. Michaelsen, posteriormente denominou essa metodologia de Aprendizagem Baseada em Equipe (ABE), sendo chamada em inglês de Team-based learning (TBL).
O team-based learning (TBL), consiste em uma metodologia ativa que visa a facilitação do ensino-aprendizagem por meio da colaboração dos estudantes. Para Krug (2016);
"A ABE é uma estratégia educacional constituída por um conjunto de práticas sequenciadas de ensino-apredizagem. Ela visa promover o desenvolvimento de equipes de aprendizagem de alto desempenho e fornecer a estas equipes oportunidades para se envolver em tarefas de aprensizagem significativas." (Krug, p. 603, 2016)

Esta metodologia normalmente aplicada no ensino superior, principalmente nas áreas da saúde e ciências exatas. 
O TBL propõe que os alunos organizados em grupos de normalmente 5 a 7 alunos venham para a aula já com um preparo prévio sobre um tema estabelecido pelo professor, para que se possa garantir uma plena execução da atividade proposta. Atividades essas que podem ser propostas antes, durante ou depois da aula, sendo um problema ou desafio a ser resolvido pelo grupo.

As avaliações neste método, ocorrem de forma individual através das produções de cada aluno, de forma coletiva através dos resultados do grupo e em pares, entre os membros do grupo, desse modo é possível perceber em todos os modos os resultados de aprendizagem, uma vez que através das avaliações realizadas pelos pares é permitido ver como foram as contribuições por parte de todos e da avaliação geral é permitido se compreender o alcance dos resultados e a efetivação da metodologia. 
Segundo Oliveira, T. E., Araujo, I. S. e Veit, E. no texto Aprendizagem Baseada em Equipes (Team-Based Learning): um método ativo para o Ensino de Física, a preparação prévia para as atividades, consiste no estudo de textos, materiais áudio visuais, um teste de aprendizagem individual e um coletivo e uma exposição realizada por parte do professor. Da aplicação do método é possível observar a presença de atividades de casa e presenciais, debates e discussões em grupo.
Referências:
OLIVEIRA, Tobias Espinosa de; ARAUJO, Ives Solano; VEIT, Eliane Angela. Aprendizagem baseada em equipes (Team-Based Learning): um método ativo para o Ensino de física. Caderno brasileiro de ensino de física. Florianópolis. Vol. 33, n. 3 (dez. 2016), p. 962-986, 2016.
https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/187938
OLIVEIRA, Bruno Luciano Carneiro Alves de et al. Team-based learning como forma de aprendizagem colaborativa e sala de aula invertida com centralidade nos estudantes no processo ensino-aprendizagem. Rev. bras. educ. méd, v. 42, n. 4, p. 86-95, 2018. 
KRUG, Rodrigo de Rosso et al. O “bê-á-bá” da aprendizagem baseada em equipe. Rev. bras. educ. méd, v. 40, n. 4, p. 602-610, 2016.

Pensando no Futuro


Educação e Tecnologia
Samara Barbosa da Silva
Robótica Educacional

Pensando no Futuro
A Robótica educacional é um conjunto de métodos usados para auxiliar no aprendizado escolar. Não se limita apenas na construção de robôs e projetos,vai mais alem,proporciona um aprendizado pratico e desenvolve no aluno a capacidade de encontrar soluções aos desafios apresentados.

Segundo MEDEIROS FILHO (2008,pg.265)Apesar de muitas pesquisas indicarem a robótica educacional como sendo uma

ferramenta que envolve questões multidisciplinares, portanto rica pedagogicamente, ela,infelizmente não faz parte do cotidiano das escolas brasileiras. A explicação para tal fato, passa pela dificuldade na aquisição do equipamento. Essa dificuldade reside, principalmente, no momento de sua compra, pois seu custo, ainda é proibitivo. A robótica está presente em diversos âmbitos do cotidiano e muitas escolas aproveitam a tecnologia para auxiliar no aprendizadodos alunos.


     Sendo assim, seu principal objetivo é em incentivar o trabalho em grupo, o planejamento, organização, decisões, e acima de tudo promover o dialogo que quase esta esquecido nos dias de hoje, apresentando empatia pelo outro.Para que haja maior compreensão de mundo,a população precisa ter acesso a internet e ao mundo que ela proporciona.Segundo Piaget (1974) destaca que manipular artefatos é a chave para criança construir seu conhecimento.
Podendo assim ser trabalhada em oficinas nas escolas,através de criação de protótipos,robôs,adaptação de algum equipamento,não só criar,mas melhorar algum programa ou equipamento eletrônico para melhor funcionalidade.
Usado em todos os níveis de ensino,para auxiliar nas atividades curriculares,podendo assim melhorar a maneira de ensino do professor e de aprendizagem do aluno.Os alunos podem criar de forma livre e experimentar vários componentes envolvidos com a robótica.Não é necessário um alto custo para introduzir a robótica nas escolas,existem matérias acessíveis,basta ter um suporte dos profissionais para auxiliar os alunos.

Na Paraíba temos um exemplo de Robótica educacional, um exemplo de aplicação diz respeito ao uso de um robô pedagógico API (Application Programming Interface) para alunos iniciantes, criado pelos docentes do IFPB da cidade de Guarabira- Paraíba usado nas disciplinas introdutórias do curso técnico em informática, como exemplo de “Algoritmos e Lógica de Programação” ,cujo tinha alto índice de reprovação e desistência. Por meio da API, alunos iniciantes de programação poderão colocar em prática os conceitos aprendidos nas disciplinas, utilizando um conjunto de métodos de alto nível que permitem a comunicação com o robô. Toda a complexidade para a comunicação e troca de informações com o robô é encapsulada pela API.(SOBRINHA,2016,pg.217) 
Portanto o uso da robótica educacional vem sendo bastante discutido na literatura,mas ainda são poucas as escolas que a usam,é preciso mais interesse dos docentes e pesquisadores para que seja difundido de forma mais ampla,e que todos possam ter acesso.

Referências:

KALIL, Fahad et al. Promovendo a robótica educacional para estudantes do ensino médio público do Brasil. Nuevas Ideas en Informática Educativa, TISE, p. 739-742, 2013.

MAGALHÃES, Ricardo Rodrigues; MARENGO, Rafael; FERREIRA, Nayara Janice. Robótica educacional para inclusão social: relato de uma experiência extensionista em Lavras/MG. Revista Ciência em Extensão, v. 11, n. 3, p. 120-131, 2015.

MEDEIROS FILHO, Dante A.; GONÇALVES, Paulo C. Robótica Educacional de Baixo Custo: Uma Realidade para as Escolas Brasileiras. In: Anais do Workshop de Informática na Escola. 2008.

SOBRINHA, Vitória HPS et al. Plataforma de Programação e Robótica Pedagógica para Alunos Iniciantes e Alunos Surdos. Anais do Computer on the Beach, p. 493-496, 2017.



ENSINO PERSONALIZADO: UMA BREVE APRESENTAÇÃO

João Victor Alcoforado de Araújo
Lorena Cristina Lima Buriti



_________O ensino personalizado é uma metodologia ativa baseada em um conjunto de estratégias pedagógicas que objetivam promover o desenvolvimento dos estudantes de maneira individualizada. Na personalização, o aluno torna-se a figura central do processo de ensino-aprendizagem e sua individualidade é utilizada para definir as estratégias de ensino que serão empregadas, os objetivos curriculares e o desenvolvimento das habilidades pretendidas. A ideia de educação personalizada surge com a criação do Plano Dalton, o qual possibilitava aos estudantes criar um currículo escolar correspondente às suas necessidades e interesses individuais. O plano buscava promover independência e confiança, além de melhorar as habilidades sociais e o senso de responsabilidade dos discentes (UNESCO, 2012).
FIGURA 01 - Elementos que configuram o conceito de Personalização
Fonte: Júnior (2018)

_________Porém, personalizar o ensino pressupõe o acompanhamento simultâneo de diferentes níveis e métodos de aprendizagem, os quais são definidos por interesses e necessidades individuais. Por esse motivo, muitos autores classificam os softwares como fundamentais à personalização, pois eles permitem o monitoramento do desenvolvimento do aluno, em sua profundidade, registrando também o material utilizado, os conteúdos estudados e as atividades concluídas, possibilitando ao professor reconhecer as necessidades de cada aluno (BONACINA; BARVINSKI; ODAKURA, 2014).

_________Foi na década de 50 que surgiram os primeiros softwares com o propósito de fornecer suporte pedagógico. Mas apenas com o aprimoramento da Inteligência Artificial que foi possível desenvolver os chamados Sistemas Tutores Inteligentes (STI), os quais são capazes de gerenciar, corrigir e criar conteúdos, de forma autônoma, referentes ao estilo de aprendizagem de cada estudante. Criar um programa capaz de compreender o processo de aprendizagem e atuar sobre ele é um tarefa complexa, fazendo-se necessária a participação ativa de diversos profissionais das áreas de computação, educação e psicologia (JÚNIOR, 2018).
FIGURA 02 – Ciências responsáveis pela projeção de Sistemas Tutores Inteligentes

Fonte: Júnior (2018)

_________A personalização propõe mudanças significativas tanto nos objetivos pedagógicos quanto na relação professor-aluno, pois o docente passa a atuar como intermediador, mentor e curador do processo educativo. O aluno, por sua vez, assume uma postura ativa e adquire total autonomia sobre o seu aprendizado, cabendo-lhe gerenciar e analisar criticamente seu próprio processo de aprendizagem (BONACINA; BARVINSKI; ODAKURA, 2014). Para Victor García Hoz (1988), a educação personalizada é definida pela presença de seis princípios: singularidade/criatividade, autonomia/liberdade e abertura/comunicação (JÚNIOR, 2018).

_________Algumas instituições passaram a se estruturar segundo esses princípios, a título de exemplo, uma rede americana de escolas públicas chamada Summit. Nestas instituições os estudantes criam suas próprias metas curriculares, objetivos diários e projetos. A escola possui uma plataforma virtual inteligente que é utilizada para gerenciar, guiar e analisar a aprendizagem de cada aluno. Além disso, os dados gerados na plataforma são monitorados por um tutor escolhido pelo aluno, com o objetivo de auxiliá-lo a criar estratégias e orientar o seu aprendizado. Ademais, existem muitas outras iniciativas baseadas nos princípios da personalização, como: Âncora, We <3 to Learn e Khan nas escolas. O ensino personalizado tem sido aplicado principalmente no ensino fundamental e médio (PORVIR, 2014).


Referências:

BONACINA, Gustavo Yamamoto; BARVINSKI, Carla Adriana; ODAKURA, Valguima. Personalização da Aprendizagem: Tendências. 2014. 4 p. Resumo expandido (Nuevas Ideas en Informática Educativa TISE) - Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia, Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, 2014. Disponível em: <https://goo.gl/wH>. Acesso em: 31 ago. 2019.

LIMA JÚNIOR, Afonso Barbosa de. EDUCAÇÃO PERSONALIZADA MEDIADA POR SISTEMA TUTOR INTELIGENTE. 2018. 66 f. TCC (Graduação) - Curso de Licenciatura em Pedagogia, Centro de Educação, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2018. Disponível em: <https://goo.gl/wH4Aqdfg>. Acesso em: 31 ago. 2019.

PORVIR. Personalização do ensino. Disponível em: <https://goo.gl/wH4Aqdfgghhjhj>. Acesso em: 31 ago. 2019.

UNESCO. Institute for Information Technologies in Education (Org.). Personalized Learning: A New Ictenabled Education Approach. 2012. Disponível em: < https://goo.gl/wH4AqF>. Acesso em: 31 ago. 2019.

WEST-BURNHAM, John. Leadership for personalising learning. National College for Leadership of Schools and Children’s Services. 2010. Disponível em <https://goo.gl/wH4Aq>. Acesso em: 31 ago. 2019.







Educação Maker


Gleyson Alves da Silva
Thuani Queiroz Gomes

Figura 1 - Fonte: encurtador.com.br/msP67

Cultura Maker, movimento criado pelo professor pesquisador do MIT, Neil Gershenfeld que se fundamenta em “Do it Yourself”. A alma do movimento é constituída na organização de um grupo de sujeitos, amadores e /ou profissionais atuando nas diferentes áreas ligadas a ciência e tecnologia, com o objetivo de desenvolver mutuamente projetos de seus membros.
Além do suporte virtual, as pessoas reúnem-se fisicamente em eventos como, por exemplo as “Makers Fair”. Além disso, existem espaços em diversos lugares no mundo conhecido como makerspaces, ou hackerspaces. O movimento maker traz como características e competências, a colaboração, comunicação, inovação e criatividade.
Na contemporaneidade vem surgindo movimentos DIY na cultura hacker e a comunicação rápida e as novas tecnologias da informação onde os sujeitos utilizam ferramentas digitais, projetam, manuseiam máquinas de fabricação pessoal e compartilham instintivamente seus designs on-line. É uma confluência da colaboração de processos de design e de fabricação digital com a cultura Web 2.0.
Promove uma ação mais colaborativa, mais participativa, indicando outras formas de avaliar e de como abordar os temas na sala de aula. Dar espaço ao encontro de vários compartilhamentos, de interdisciplinaridades, pensar fora da caixa e execução de projetos. Essa metodologia aponta para novas direções, busca fugir das pedagogias da explicação e da autoridade enraizada na educação, contribuindo na execução dos quatro pilares da educação – aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos; e aprender a ser. Figueiredo (2016, p. 813), aponta as pedagogias da autonomia, da libertação e da partilha que “[...] ajustam-se na perfeição à era social em que se vive hoje”, trazidas nos estudos de Freire (1994), Bourdieu e Passeron (1970), Dewey (1938) entre outros.

Figura 2- Fonte: encurtador.com.br/oqzG3

Seu propósito é fazer com que os alunos expressem a sua criatividade, autonomia e protagonismo, participando de projetos e experiencias interdisciplinares deixando-os mais interessados nas disciplinas curriculares, trazendo inúmeros benefícios não só a curto, médio e longo prazo. A melhor proposição pedagógica é diferenciar o ensino e ajustar continuamente as condições de ensino de modo a favorecer os processos de aprendizagem (PERRENOUD, 2000).
Pode ser aplicada em todos os níveis de ensino criando e/ou estreitando laços em escolas, universidades, profissionais da educação e tecnologia, alunos e cidadãos que partilham pensamentos libertadores, criando oportunidades de negócios e soluções. Essa educação alforria a capacidade da imediação natural por parte dos sujeitos que até o momento que conhece o DIY vem acatando o papel de mão de obra e consumidor passivo.
Sagui Lab extensão universitária da FAAC e o SESI-SC são projetos que iniciaram suas atividades em 2013 e 2015 respectivamente, promovendo praticas colaborativas, o uso de espaço compartilhado, técnicas de fabricação digital e o desenvolvimento de projetos inovadores em multiplataforma digital. É uma iniciativa universitária híbrida entre Makerspaces e Hackerspaces e a academia, divulgando o “Open Design” e outros métodos colaborativos para o desenvolvimento de projeto. Para impulsionar a discussão experimentaram processos colaborativos e inovação social baseado nas soluções oferecidas pelas mesmas comunidades e isso vem dando certo até os dias de hoje. São bons exemplos de aplicações que enfatizam muito bem as vantagens da Educação Maker!

Figura 3- Fonte: Autoria Própria (2019)

Gostou do post sobre Educação maker? Então aproveite que tem mais :D

REFERÊNCIAS:

BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean-Claude. La Reproduction. Éléments pour une théorie du système d'enseignement. Paris: Les Éditions de Minuit, 1970.
CORDOVA, Tania; VARGAS, Ingobert. Educação Maker SESI-SC: inspirações e concepção. In: Anais FAB Learn conference, São Paulo. 2016. Disponível em: <http://fablearn.org/wp-content/uploads/2016/09/FLBrazil_2016_paper_108.pdf>. Acesso em: 04 set. 2019.
DEWEY, John. Experience and Education. Kappa Delta PI, 1938 / Touchstone, 1997.

FIGUEIREDO, António Dias, A Pedagogia dos Contextos de Aprendizagem, In: Revista e-Curriculum, São Paulo, v,14, n.03, p. 813 - jul./set.2016. Programa de Pós-graduação Educação: Currículo - PUC/SP.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 23 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1994.
MEDEIROS, Juliana et al. Movimento maker e educação: análise sobre as possibilidades de uso dos Fab Labs para o ensino de Ciências na educação Básica. FABLEARN BRAZIL, v. 2016, 2016. Disponível em:<https://fablearn.org/wpcontent/uploads/2016/09/FLBrazil_2016_paper_33.pdf>. Acesso em: 05 set. 2019.
PERRENOUD, Phillipe. Dez novas competências para ensinar. trad. Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
SAMAGAIA, Rafaela; NETO, Demétrio Delizoicov. Educação científica informal no movimento “Maker”. ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS–X EMPEC, v. 10, 2015. Disponível em: <http://www.abrapecnet.org.br/enpec/x-enpec/anais2015/resumos/R0211-1.PDF>. Acesso em: 05 set. 2019.


Uma Aprendizagem baseada em projetos para uma educação inovadora

FONTE: encurtador.com.br/uHMY5 (2019).

Victor Flavio Alves Palma
Polyane Melissa Coutinho Nogueira

Com a comprovação, no ano de 1900, da "aprendizagem pela prática" pelo então filósofo John Dewey, como também as transformações sociais nas relações de trabalho e o surgimento de novas teorias da aprendizagem com fundamento psicológico e social, modificaram a educação com a criação de novas formas de ensinar e aprender, dentre elas à Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP) ou Project Based Learning (PBL) que consiste "em permitir que os estudantes confrontem as questões e os problemas do mundo real que considerem significativos, determinando como abordá-los e, então, agindo de forma cooperativa em busca de soluções“. (BENDER, 2015)
Como metodologia ativa, esta tem ajudado instituições de ensino e professores a trabalharem de forma inovadora, tendo como uma de suas principais características, como destaca Toyohara (2010) com ideias claras dos objetivos que se pretende atingir. Deste modo, a ABP tem como base o planejamento e a intencionalidade, que ocorrem por meio de vivências práticas e coletivas que requerem a participação ativa e compartilhada dos alunos. Podendo ser utilizada em todos os níveis de ensino, ela é mais frequente no Ensino Fundamental e no Superior, principalmente em cursos de Engenharia ou em escolas referenciais no uso dessa metodologia.
A ABP tem por objetivo fazer com que os estudantes lidem com problemas reais e significativos para eles, buscando soluções para essas problemáticas em que o próprio aluno irá escolher e buscar meios e soluções de forma colaborativa com os demais participantes, possibilitando ao aluno o "aprender a aprender", propiciando a interdisciplinaridade, a cooperação e autonomia, despertando o interesse e desenvolvendo habilidades necessária para seu futuro profissional e pessoal. Para sua efetivação, é necessário, como destaca Masson (2012), uma gestão compartilhada pelos demais agentes educacionais, como também tempo, esforço e investimento, em problemáticas que instiguem a curiosidade e possibilitem uma construção autônoma, crítica e reflexiva do aluno. Como ressalta Freire (1996):

Fonte: Autoria Própria (2019)

As características privilegiadas na ABP são a âncora, que seria a escolha do assunto debatido na sala de aula, a questão motriz, a assistência e revisão do aluno juntamente com o professor, a investigação e inovação, as oportunidades para reflexão, os resultados apresentados em sala, a voz e escolha dos alunos em como o projeto deverá ser realizado, juntamente com o professor. (BENDER, 2015). Em vista disso, o professor passa a atuar como mediador da aprendizagem, acompanhando e ajudando os grupos na exploração das habilidades, compreendendo as diferentes formas de aprender e resolver as temáticas apresentadas.

Para implementar a ABP é necessário uma mudança no desempenho dos professores e na escola, pois a colaboração deve começar na gestão que, aberta as modificações, caminha em prol de um objetivo comum para com todos os agentes, assim, consolidando e desenvolvendo os pilares destacados por Masson (2012) aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser, que devem ser alcançados por todos. Compreendemos que a aprendizagem pela prática contribui para o desenvolvimento das mais diversas potencialidades humanas. Assim sendo, a ABP possibilita uma avaliação mais expressiva, como também, o desenvolvimento não apenas profissional mas humanístico.

Referências
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. (Capítulo 2 - páginas 33 a 35). O livro encontra-se disponível em: http://forumeja.org.br/files/Autonomia.pdf.

MASSON, T. J. et al. Metodologia de ensino: aprendizagem baseada em projetos. In: XL CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO EM ENGENHARIAS. 2012. Belém, PA. ed. Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo. 03-06 de dez. 2012. Disponível: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&uxrl=http://www.abenge.org.br/cobenge/arquivos/7/artigos/104325.pdf&ved=2ahUKEwjEm4_NxrrkAhVKCrkGHSlbBEIQFjAFegQIBhAB&usg=AOvVaw15PpNk0qPrdwMeIs-Ir5W3

BENDER, W. N. Aprendizagem baseada em projetos: educação diferenciada para o século XXI. Porto Alegre: Penso, 2015.

TOYOHARA, D. Q. K., et al. Aprendizagem baseada em projetos: uma nova estratégia de ensino para o desenvolvimento de projetos. In: CONGRESSO INTERNACIONAL. São Paulo. 2010. p.1-11. 08-12 de nov. 2010. Disponível: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url

SONDERMANN, D. V. C.; BALDO, Y. P.. Aprendizagem baseada em projetos: potencializando a formação docente em acessibilidade e tecnologia. Chile, 2016. Ed. Nuevas Ideas en Informática Educativa, v.12, p. 392-396. Disponível: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=http://www.tise.cl/volumen12/TISE2016/392-396.pdf&ved=2ahUKEwjh0LWtjrbkAhVxIrkGHUIQD-sQFjAAegQIAhAB&usg=AOvVaw2_yo5FdAIdYcsr4dfiWTIy

Instrução por pares, o que é? E por que adotar essa metodologia em sala de aula?

Maria Carolina Silvestre da Silva




Disponível em http://encurtador.com.br/wEGX3A. Acesso em 31 de agosto de 2019.
 

A aprendizagem colaborativa, Peer Instruction ou sua tradução literal Instrução por Pares é uma metodologia ativa de ensino desenvolvida por Eric Mazur, professor de física da Universidade de Harvard. Pretende através da interação entre os alunos, promover uma didática que em haja uma maior efetividade em sala de aula por parte dos estudantes, de maneira com que discutam os pontos centrais dos conteúdos apresentados para torná-los de fácil compreensão deixando de ser uma aula puramente expositiva.
Assim como as demais metodologias ativas, a instrução por pares auxilia na inserção do aluno como sujeito do seu próprio conhecimento, uma vez que ele passa a ter uma responsabilidade e comprometimento por sua aprendizagem, baseada no livro Peer instruction: A User’s Manual.
O professor Jelson Roberto de Oliveira da PUCPR neste vídeo explica mais detalhadamente a teoria e formas de como colocá-la em prática. Podemos ver uma aplicação no vídeo de Gustavo Hoffmann, diretor do Grupo A Educação e Fellow pela Universidade de Harvard (LASPAU), e o uso dessa metodologia no curso da ABMES.
Segundo Mazur relata neste vídeo, muitas vezes o professor tem a dificuldade de prosseguir com determinados assuntos em sala de aula, pois, por ser o docente, explicar algo que para ele é tão obvio, torna-se difícil entender como alguém não consegue compreender da mesma forma que ele. A cerca disso Aranha (1996, p.217) destaca que “cabe ao professor a sensibilidade de não desmerecer a visão de mundo do aluno e suas necessidades fundamentais, preocupando-se sempre em partir dessa realidade dada”.
Por outro lado, é mais fácil um aluno explicar a outro sobre o problema apresentado por dois fatores muito importantes: se o aluno realmente aprendeu o assunto aplicado e se é mais fácil compreender as dificuldades que outro aluno tem. A cerca disso, “A colaboração entre os pares permite uma produção coerente e única do grande grupo, tanto nas atividades dos subgrupos quanto nas atividades individuais, visto que todas são compartilhadas por todos os membros que compõem a turma, por meio da publicação das atividades.”(LUPION et al. 2004 p.12)
Essa é uma situação em que duas ou mais pessoas aprendem algo juntas num sistema de interdependência na resolução de problemas, tornando a aprendizagem mais eficiente, onde as duas partes são responsáveis pelo todo e não cada um por uma parte especifica do projeto, uma vez que, “são alicerces da prática educativa colaborativa, o debate, a discussão, a reflexão individual e coletiva, o exercício da auto e da mútua-regulação, da resolução de problemas e de conflitos, da negociação, do consenso, da percepção do outro, e do respeito mútuo” (LUPION e IRALA 2014, p. 87. apud. TORRES, 2014)


Fonte: Autoria própria(2019)
Dessa forma a colaboração torna-se eficaz pelo fato de que um estudante tem mais facilidade em questionar outro estudante e assumir as suas dificuldades do que questionar o professor. Nesse aspecto, professor tem papel fundamental no processo da produção desse conhecimento, como um colaborador/facilitador/ativador, pois, as atividades e os interesses dos aprendizes serão priorizados agindo para colocar o discente no centro dos processos de ensino-aprendizagem, onde o aluno teria uma participação mais efetivo em sala de aula.



Referências
 

ARANHA, M. L. História da Educação. 2 ed. Ver. E atual. São Paulo: Moderna, 1996.
TORRES, Patricia LupiOn; IRALA, Esrom Adriano F. Aprendizagem colaborativa: teoria e prática. Coleção Agrinho. Paraná, 2014, p.1-34.
YAMAZAKI, Sérgio Choiti; YAMAZAKI, RM de O. Sobre o uso de metodologias alternativas para ensino-aprendizagem de ciências. Educação e diversidade na sociedade contemporânea. Ed. Coelho MS, 2006.
TORRES, Patrícia Lupion; ALCANTARA, Paulo; IRALA, Esrom Adriano Freitas. Grupos de consenso: uma proposta de aprendizagem colaborativa para o processo de ensino-aprendizagem. Revista diálogo educacional, v. 4, n. 13, p. 129-145, 2004.
Peer Instruction for Active Learning - Eric Mazur. Youtube. Produção: Serious Science, 2014. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Z9orbxoRofI&t=338s>. Acesso em 14 set. 2019.
Peer Instruction - Metodologia Ativa no Processo de Ensino-Aprendizagem. Youtube. Produtora: PUCPR, 2019. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=xvOvpE_jmjI&app=desktop>. Acesso em 14 set. 2019.
Curso aborda metodologias que estão revolucionando a educação. Youtube. Produção: Rede ABMES, 2019. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=215zynkEN4I>. Acesso em 14 set. 2019.



O ensino de programação sem computadores: novas estratégias de ensino.


O ensino de programação sem computadores: novas estratégias de ensino.                                                           

                                Aldiane Andrea Oliveira de Sousa Cabral
Lucas Vinicius Tavares de Aquino

Fonte: Própria (2019)


    Atualmente a utilização de novas tecnologias vêm ganhando destaque na educação. Alguns dispositivos vêm contribuindo para uma melhoria no processo de aprendizagem. Entretanto, devido a falta de conhecimentos, de equipamentos e outros desafios, as escolas estão se reinventando buscando mecanismos para poder suprir a necessidade de um conhecimento mais abrangente sobre tal. 
    Para desenvolver no aluno o pensamento computacional, algumas escolas vêm ensinando o conceito base da Computação de forma que todos possam entender. Mas como viria a ser isso? Através de um projeto que Santos et al (2016, p.103) afirmam que é "um movimento nomeado de Computação Desplugada, o qual visa disseminar os conhecimentos acerca da ciência da Computação sem o uso de hardwares ou softwares.” 
    De acordo com Silva (2017) esse método vem contribuindo nos últimos anos com o ensino de Ciências da Computação, viabilizando um novo método de ensino aprendizagem. Essa prática é desenvolvida a partir de atividades lúdicas, para ensinar números binários, teoria da informática entre outras atividades descritas no livro de Tim Bell, Lan H. Witten e Mike Fellows e traduzido com o título Ensinando Ciência da Computação sem o uso de computador.

    As atividades do livro mencionado são bem interessantes, como a atividade  “Contando os Pontos" que ensina uma linguagem computacional, que é o número binário, de uma maneira simples. Porém Scaico et al (2012) ao utilizá-la em uma escola de ensino fundamental de João Pessoa percebeu  que a atividade possui uns pontos que necessitam de ajustes para melhorar a didática. As atividades desplugadas vêm sendo bastante utilizadas por diversos campos de atuação. Em um curso de computação no Sertão Pernambucano foi utilizada para minimizar as desistências na disciplina de Estrutura de Dados. Moreira (2018) afirma que os resultados foram satisfatórios, pois os alunos estavam mais motivados.

    A literatura referente ao conteúdo menciona que esse método de ensino pode ser utilizado desde a educação básica até a educação superior. Santos et al (2016) traz em seu artigo uma proposta para a utilização de computação desplugada na Educação Infantil, que abrange crianças de 0 a 5 anos. No entanto, após realizar oficinas com os educadores, foi constatado que os jogos são direcionados as crianças entre 4 e 6 anos. Ressaltando a relevância dessa prática e a realidade do Brasil Santos et al (2016, p.103) afirma que “a computação desplugada permite levar o conhecimento sobre Ciência da Computação a lugares em que os computadores e suas tecnologias não são uma realidade.” 
    O conhecimento tecnológico e consequentemente computacional ajuda na resolução de problemas e assim na formação do cidadão contemporâneo. Daí, a importância de desenvolver práticas que auxiliam no pensamento lógico e matemático. A metodologia abordada possui uma linguagem clara e leve, que desenvolve no aluno a criatividade e a capacidade de solucionar problemas. Porém algumas atividades são mais extensas e com um grau de dificuldade maior, sendo necessário realizar adaptações. É de extrema relevância que o profissional esteja capacitado para identificá-los e ajustá-lo.

REFERÊNCIAS:

MOREIRA, J. A; MONTEIRO, W. M. O uso da computação desplugada em um contexto de gamificação para o ensino de estrutura de dados. Revista Novas Tecnologias na Educação. v.16 n. 2, dezembro, 2018.

SANTOS, E. R. et. al. Estímulo ao pensamento computacional a partir da computação
desplugada: uma proposta para Educação Infantil. Revista Latinoamericana de Tecnologia Educativa. v.15, n.3, p. 99-112, 2016.

SCAICO, P. D.; et. al. Um Relato de Experiências de Estagiários da Licenciatura em Computação com o Ensino de Computação para Crianças. Revista Novas Tecnologias na Educação. v. 10 n. 3, dezembro, 2012.

SILVA, Fernando Tomaz da. Nova proposta de atividades desplugadas no ensino de algoritmos de ordenação linear na educação superior. 2017

Realidade Aumentada: Tecnologia em favor da Educação





Suênya Souza Silva
Sidcley Horácio Galdino

    A Realidade Aumentada (RA), sendo vista como uma subdivisão da realidade misturada e uma evolução da Realidade Virtual (RV) é uma tecnologia que surgiu há décadas, sendo bastante utilizada na atualidade em diversos aspectos e contextos. Em sua funcionalidade, combina mundo real com mundo virtual. Neste sentido “a realidade virtual e realidade imaginária aumentada, permitem ao usuário retratar e interagir com situações (KIRNER & TORI, 2006)”.    
De forma mais detalhada, entende-se que a realidade aumentada é a sobreposição de objetos virtuais gerados por computador num ambiente real, utilizando para isso algum dispositivo tecnológico (ZORAL et al, 2006). Como características, nota-se que sua utilização depende do auxílio de instrumentos como óculos, luva, Smartphone, câmeras, dentre outros. Esta tecnologia permite ao usuário uma interação segura e agradável, sem que necessite possuir profundo conhecimento acerca do manuseio dessa ferramenta tecnológica.
De forma interativa e dinâmica, a RA vem sendo aplicada em diferentes contextualizações, como no setor empresarial, nas plantas industriais, inclusive no contexto educacional. Neste sentido entende-se a RA, como recurso didático, que contribui consideravelmente na assimilação de novos conhecimentos junto aos estudantes (DE SOUZA & ABREU, 2015).



Fonte: encurtador.com.br/buDX7



    Diversas aplicações podem ser encontradas, como a de uma aluna do curso de Ciências da Computação na Universidade Federal de Juiz de Fora - MG, que criou um aplicativo que auxilia no entendimento sobre representações gráficas, cálculos e funções. O aplicativo denominado de Educar-Quadrics possibilita ao aluno realizar as atividades com maior compreensão, de forma lúdica e atrativa, esta ferramenta possibilita ao aluno visualizar as formas tridimensionalmente; o que não seria possível sem o auxilio do aplicativo. Dessa forma, este aplicativo surge como grande auxiliador na compreensão das questões envolvendo os cálculos matemáticos e suas possíveis resoluções.


Fonte: encurtador.com.br/syCN6

    Buscando estimular o hábito da leitura com crianças das séries iniciais por meio de histórias animadas, a rede municipal de ensino da cidade de São José dos Campos-SP, vem utilizando a tecnologia RA para que, de forma lúdica, desperte nos alunos a criatividade, e estimule a capacidade de construir seus conhecimentos.

Foto: Claudio Vieira/PMSJC

    Diante do tema abordado, evidenciou-se que a RA pode ser usada em diferentes contextualizações, especificamente nas escolas é de grande importância no que se refere à compreensão de diversos conteúdos. Por meio da atratividade dos jogos educativos e do lúdico possibilita o estudante obter uma compreensão de forma mais realista (ZORAL et al, 2006).  Além disso, é perceptível que quando o professor insere a RA no seu planejamento, notadamente é maior o interesse e motivação dos estudantes em adquirir os conhecimentos apresentados.

Referencias

KIRNER, Cláudio; TORI, Romero. Fundamentos de realidade aumentada. Fundamentos e Tecnologia de Realidade Virtual e Aumentada, v. 1, p. 22-38, 2006.

ZORZAL, Ezequiel Roberto et al. Realidade aumentada aplicada em jogos educacionais. In: V Workshop de Educação em Computação e Informática do Estado de Minas Gerais-WEIMIG. 2006.


DE SOUZA, Paulo Henrique; ABREU, Renato Oliveira. O USO DA REALIDADE AUMENTADA COMO RECURSO DIDÁTICO PARA O ESTUDO DO SISTEMA SOLAR. Anais da Semana de Licenciatura, v. 1, n. 6, p. 299-309, 2015.


KIRNER, Claudio; ZORZAL, Ezequiel Roberto. Aplicações Educacionais em Ambientes Colaborativos com Realidade Aumentada. Brazilian Symposium on Computers in Education (Simpósio Brasileiro de Informática na Educação - SBIE), [S.l.], p. 114-124, nov. 2005. ISSN 2316-6533. Disponível em: <https://www.br-ie.org/pub/index.php/sbie/article/view/398/384>. Acesso em: 05 set. 2019.

ESTUDO DE CASO: um método de investigação


Andreia Carolina de Oliveira Serafim
Emmily Daiane da Silva


Fonte: Arquivo pessoal.


Você já ouviu falar sobre o método de organização de ideias conhecido como Estudo de Caso? Sabia que, mesmo sendo recente no campo da educação, ele vem sendo muito usado em outras áreas como: o direito, o serviço social e a medicina? Então, se ainda não conhece essa metodologia de estudo, te convido a vir conosco descobrir o que é e como funciona essa nova forma de aprendizagem.
Primeiramente, devemos atentar ao conceito de estudo de caso. Adelmar (et. al., 1976) compreende essa metodologia como sendo uma forma de afunilar um estudo direcionando-o a um ou mais objetos específicos. Desse modo, esse processo de organização do estudo conta com algumas características importantes, dentre as quais se destaca a adequação às incertezas, já que os passos seguidos não seguem a um único padrão, pois ao longo do processo podem aparecer novas informações importantes.
Além disso, os pesquisadores buscam diferentes pontos de vista acerca de um caso específico, dando visibilidade às diferentes opiniões encontradas e aos conflitos que podem existir entre elas. Sendo assim, os relatos são descritos em uma linguagem mais simples, clara, direta e objetiva, visando ao entendimento do leitor. Segundo Marli André (1984), o caso consiste em um objeto particular que orientará todo estudo do pesquisador, em uma visão multidimensional que implica vários olhares sob uma mesma perspectiva.
Dessa maneira, é possível perceber que o estudo de caso consiste em uma metodologia de investigação, cuja aplicabilidade tem perpassado os diversos níveis de ensino, sendo utilizado, por exemplo, nas pesquisas sobre alfabetização e letramento nos primeiros anos do ensino fundamental; percorrendo o nível médio de ensino, enquanto estratégia metodológica para o ensino de Química; e até mesmo no nível superior, sendo aplicado no ensino em cursos de pós-graduação em ciências contábeis.
A esse respeito e no tocante ao estudo de caso como estratégia metodológica para o ensino de Química no ensino médio, foi constatando, nos resultados desta pesquisa, que:
[...] esta metodologia auxilia os estudantes na interpretação de textos, promove a capacidade de identificação e resolução de problemas, além de possibilitar a aplicação dos conteúdos de Química em situações do cotidiano (PAZINATO e BRAIBANTE, 2014, p.1).

Percebe-se, nesse contexto, que essa metodologia favorece o desenvolvimento da autonomia intelectual do sujeito, uma vez que parte da necessidade de um conhecimento aprofundado para tomar decisões em situações mais complexas.
Diante disso, é facilmente perceptível as inúmeras vantagens desse método, a exemplo de sua aplicação nas mais diversas áreas, contextos e situações humanas. Ademais, ele ainda pode ser usado para desenvolver, produzir, contestar ou desafiar teorias, visto que elas são uma tentativa de explicar uma verdade e o estudo de caso parte do princípio de adequação às incertezas, as quais estão presentes nessas tentativas comprobatórias de uma verdade.
Gostou do conteúdo? Então clica no vídeo abaixo e vem descobrir mais sobre essa metodologia que tem revolucionado a forma de aprendizagem.


REFERÊNCIAS:
ADELMAR, C. et al. Re-thinking case study: notes from the second Cambridge Conference. Cambridge Journal of Education, 6, 3, 1976.

ANDRÉ, M. E. D. A. Estudo de caso: seu potencial em educação. Cadernos de Pesquisa, n. 49, p. 51-54, maio 1984. Disponível em: http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/1427.Acesso em: 26 ago. 2019.
MEIRINHOS, M.; OSÓRIO, A. O estudo de caso como estratégia de investigação em educação. EDUSER: revista de educação, v. 2, n. 2, 2010. Disponível em: <http://bibliotecadigital.ipb.pt/bitstream/10198/3961/1/O%20estudo%20de%20caso%20como%20estrat%C3%A9gia%20de%20investiga%C3%A7%C3%A3o%20em%20educa%C3%A7%C3%A3o.pdf>. Acesso em 30 de ago. de 2019.

PAZINATO, M. S.; BRAIBANTE, M. E. F. O estudo de caso como estratégia metodológica para o ensino de Química no nível médio. Revista Ciências & Ideias, v. 5, n. 2, p. 1-18, 2014. Quadrimestral. Disponível em: <https://www.google. com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=http://w3.ufsm.br/laequi/wp-content/uploads/2015/03/Estudos-de-caso.pdf&ved=2ahUKEwiiy8uK363kA hWIIrkGHb98BEUQFjAJegQIAhAB&usg=AOvVaw2Xlr5gyo-IO6MbJfsWomfL>. Acesso em: 31 de ago. de 2019.